quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sobre( )viver




Plenamente plana a mente
De um eterno sonhador...
Sonha a dor, e como dói!...
Sonhar não dói, dói acordar,
Dói a cor dar e não receber!...
Dói repartir, para depois se partir,
E então partir para não mais voltar!...

Quem sonha, só sabe voar,
Mas infelizmente, não sabe cair...
Infeliz é a mente de quem só sabe ser gente,
E só conhece a arte de sobreviver...
Desconhece a arte de sobrevoar,
E não sabe (r)existir e ao mesmo tempo viver!...

Alguns inclusive, preferem ferir
(Pré)Ferem sem refletir, nem refratar!...
Não percebem que (fr)atu(r)ar não é só mentir,
É também se enganar, e se (con)fundir
Na dor que causaram... Porque o mundo é um círculo,
É um circo tumultuoso, de mútuos fracassos!...

Portanto, não seja um fracasso, seja de aço,
Mas saiba voar. Não seja um palhaço,
Mas saiba sorrir... E não só rir, saiba (ch)orar.
Saiba cair e depois levantar, e (re)aprender a levitar,
E evitar a monotonia, a monomania, e a lobotomia
De sua existência. Tenha insistência, saiba lutar.

Nem todo mundo nasce pleno, nem plano,
Mas todo mundo precisa planar.
Todos precisam de planos, e encantos, e prantos... E ar!...
Serenos... Ser eu, ser você, e ser nós!...
Não nós apertados, nós entrelaçados, sem sufocar...
Porque convenhamos, tudo que precisamos para voar,
É saber de repente, num ato da/de mente, que basta sonhar!...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Saudações





Não saudemos as nuvens e as estrelas,
Essas poesias escritas no céu!...
E as cicatrizes que carregamos
Das lutas que se viveu...

Saudemos a saudade dos sonhos,
O pesar dos aflitos, os detritos
Dos corações partidos!...
Saudemos os esquecidos, ou esqueçamos...

Saudemos o medo e suas sombras!...
As sobras daquilo que nunca se foi!...
E saudemos a esperança e a espera,
Que pouco a pouco nos corrói!...

Saudemos o inverno e o inferno,
Os infortúnios da vida e os pesares,
Saudemos as guerras e as armas,
Que nos engoliram por toda parte!...

Saudemos a insanidade e a ignorância,
A vaidade e a podridão
Dentro do nosso próprio coração...
Saudemos a intolerância!!

Saudemos a mentira e a verdade...
Você escolhe, a que causar mais dor...
Mas saudemos aquela que nos mata
E nos arranca toda liberdade!...

Saudemos a prisão e a solidão,
Saudemos o pão nosso de cada dia,
Que nós temos, e eles não,
(Mas isso pouco importa a preocupação).

Saudemos as promessas não cumpridas,
As palavras jamais ditas,
E o rancor, assim como o ódio!
Saudemos aquele que sobe no pódio!...

Saudemos os tornados e as enchentes,
Saudemos a esmola aos carentes,
Saudemos a glória de Jesus nos bolsos
Dos crentes, saudemos, saudemos, minha gente!

Saudemos as doenças e os doentes,
Saudemos a mídia e sua imagem,
Saudemos a SUA imagem!...
Mas não, não saudemos seu caráter...

Saudemos as cadeias lotadas,
As crianças estupradas... E a poluição!
Saudemos as coxinhas, os coxinhas,
E os bundões, e as bundonas!...

Saudemos a putaria, saudemos as traições!
Saudemos as crianças que carregam crianças,
E as cabeças que carregam a esperança
De um dia sair da miséria!...

Saudemos as deficiências, do corpo e da alma!
Saudemos as drogas lícitas e ilícitas
E os drogados da porra jogados na calçada!
Ah! E saudemos os que se calam, porque não sabem o que dizer...

Saudemos a destruição mútua dos seres,
A destruição do planeta,
A exaltação do sistema,
Que afinal, só faz progredir!...

Mas condenemos a ação,
Porque saudar vale mais do que agir!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Primeiramente...






Quando foi criada a poesia
Veio junto a ela a dor...
Pois por si só a melancolia
Desfalece em seu labor...

Neste dia, santo dia,
Cada flor que entristecia
Era só o papel na tinta
Que pela superfície morria...

Sorrateira espetada, espoetada
poetisa... Ela toda falecia
Em forma de palavras,
Em forma de tristeza, disfarçada de alegria...

Ah! Que mentira é a poesia!
Que mentira mal contada
Que não tem nada a dizer...
O que se esconde atrás dela, nem a mim cabe saber...

Pintura doentia de aquarelas amargas,
Arquitetura que desmorona do amor...
Retalhos gastos aos frangalhos,
Meu martírio de dar torpor...

Essas tantas tontas vivas,
Que escorrem na quietude do olhar,
Por elas nasci em plenitude:
Por elas aceitei me amar(rar).

Vento vibrante de inverno:
Um verdadeiro inferno de viver...
Porque ela em tudo te prontifica
E escraviza-te a escrever...

Vida e morte, contradição...
Hipérbole de mim mesma...
Ela é tudo que em mim resta,
E isso é tudo enfim e então.